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Oficinas voltam a ter movimento, mas faltam peças

Mercado de reposição e reparação continua sendo porto seguro na crise

As duas últimas grandes crises econômicas no Brasil (2008 e 2013) foram o palco ideal para provar a resiliência e força do aftermarket automotivo, que além de passar ileso por estes episódios registrou vigorosos índices de crescimento sustentável. Com este comportamento o mercado de reposição de peças e reparação de veículos provou ser um porto seguro na adversidade e muitas indústrias e montadoras passaram a considerar este segmento mais estratégico e menos “de ocasião”, pois os que não tinham foco no pós-venda perderam sempre nas crises.

Nesse sentido, os grandes beneficiados da maior demanda de serviços na reparação sempre foram as oficinas independentes, que abocanham 90% do segmento, pela preferência do dono do carro, que abandona o serviço na concessionária da montadora às vezes até antes de terminar o período de garantia.

Mas e agora, diante da crise da Covid-19, o que está acontecendo com o aftermarket e a oficina independente?

Quem nos dá uma resposta segura a esta pergunta e amparada em dados e fatos é o instituto Cinau (Central de Inteligência Automotiva), unidade de pesquisa e BI (Business Intelligence) do Grupo Oficina Brasil, em recente pesquisa divulgada e utilizada oficialmente pelo Sindirepa. O estudo comprova que o os serviços nas oficinas independentes, depois de experimentarem uma queda de quase 70% entre as semanas de 23 a 28 de março, mais recentemente entre 26 e 30 de abril esboçam uma recuperação de aproximadamente 76%! (Veja Gráfico Abaixo)

Isso quer dizer que hoje as oficinas mecânicas independentes estão operando com ociosidade média de 28 % da capacidade normal, calculada pelo mesmo Cinau em 80 passagens por mês (média nacional histórica), o que ainda é um indicador ruim, porém não desastroso.

Contudo, o estudo revela que neste cenário muitas oficinas já recusaram serviços por falta de componentes (12%) e outras estão delegando diretamente ao cliente o desafio de conseguir a peça (14%) ou buscando na internet (16%), com todos os problemas que este meio oferece (peça errada, logística complicada etc…).

Se estes gargalos, que dependem da cadeia de abastecimento, não estivessem complicando a vida das oficinas, a queda nos serviços seria menor!

Se a parte quantitativa do estudo de mercado prova que mais do que nunca é hora de focar no abastecimento das oficinas, pois serviço há, o lado qualitativo de pesquisa apontou que 92% dos entrevistados ouvidos na pesquisa (1.090 ao todo) estimam (percepção) que até junho os serviços terão retornado ao “normal”!

A conclusão que se chega é que o segmento de aftermarket automotivo é mesmo um porto seguro em qualquer situação adversa e com isso ganham as empresas, que têm nas oficinas mecânicas independentes a fonte principal de demanda de seus produtos.

O desafio dos executivos do setor é desenvolver estratégias perenes para abastecer este segmento, que sempre retribuiu positivamente aos que neles é investido de forma inteligente e sistemática.

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Luiz Sergio Alvarenga é diretor da Alvarenga Projetos Automotivos e conselheiro do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA)

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