Por que o óleo correto é a única garantia de vida longa para o motor e como a degradação da correia pode comprometer até o sistema de freios.
A busca por eficiência energética e redução de emissões levou a engenharia automotiva a soluções criativas e, por vezes, polêmicas. Entre elas, destaca-se a correia dentada banhada a óleo (tecnologia Belt-in-Oil). Se por um lado ela promete silêncio e menor atrito, por outro, exige um rigor de manutenção que não perdoa erros.
Por que banhar a correia em óleo?
Tradicionalmente, os motores utilizavam correias secas (trocadas em intervalos menores) ou correntes metálicas (gera ruído mais alto porém com pouca manutenção). A correia banhada a óleo surgiu como um meio-termo ideal:
Redução de Atrito – O contato com o lubrificante reduz a perda de energia em até 30% em comparação com uma correia seca.
Silêncio de Operação – O nível de ruído é menor.
Ponto fraco – A Contaminação do Lubrificante
O maior desafio desse sistema não é o projeto em si, mas as condições de uso. Motores que operam em ciclos curtos (uso urbano severo) não atingem a temperatura ideal de trabalho rapidamente. Isso gera a diluição de combustível no óleo. Quando o combustível (especialmente o etanol) contamina o óleo, ele altera as propriedades químicas do lubrificante. O óleo contaminado ataca os polímeros da correia, resultando em:
- Inchaço: A correia aumenta de largura, gerando atrito excessivo nas polias.
- Descamação: Pequenos fragmentos de borracha soltam-se da correia. Nos veículos da GM um dos primeiros sintomas apresentado é na mudança no pedal de freio. Caso a correia esteja em decomposição os detritos acabam se acumulando na bomba de vácuo, impedindo um funcionamento adequado e resultando em um problema no sistema de freio. O acionamento do pedal fica mais “duro”. Ideal verificar a correia nesses casos.
- Degradação Química: A borracha perde elasticidade e pode romper prematuramente.
- O Efeito Cascata: O Perigo do “Pescador” entupido. A falha catastrófica raramente começa com o rompimento da correia. O maior perigo é o entupimento do pescador da bomba de óleo. Os resíduos de borracha descamada acumulam-se na tela do pescador, restringindo o fluxo de óleo para o motor.
Pilares da Manutenção
Para o profissional de reparação, o diagnóstico deve ser visual e preventivo. Aqui estão as regras de ouro:
- Óleo: A Norma acima da Viscosidade
Não aceite “óleos similares”. Um motor GM 1.0 Turbo exige a norma Dexos 1 Gen 3. Um Ford Dragon exige a WSS-M2C948-B. Usar um óleo que não possua os aditivos de proteção à borracha é sentenciar a correia à morte em poucos meses (Sempre consulte e seguir a indicação no manual do fabricante do veículo).
- Uso Severo
No cenário brasileiro de trânsito pesado, a recomendação técnica extraoficial é clara: trocar o óleo a cada 5.000 km ou 6 meses. Isso garante que a concentração de combustível no cárter nunca atinja níveis críticos para a correia. Em toda troca de correia banhada a óleo, a remoção do cárter para limpeza do pescador e inspeção de resíduos é um procedimento interessante a se realizar.
A tecnologia Belt-in-Oil é eficiente, mas não aceita negligência. O sucesso desse sistema depende de uma tríade: combustível de qualidade, óleo rigorosamente especificado e prazos de manutenção antecipados. Cabe ao reparador educar o cliente sobre esses custos ocultos que garantem a vida longa do motor.
Fonte: Oficina Brasil