Nos próximos 90 dias, as rodovias paulistas ganharão 649 novos radares fixos, em uma iniciativa do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) para coibir infrações e reduzir acidentes. A medida, que abrange 13.000 km de estradas não concedidas e 150 rodovias estaduais, vai além da fiscalização de velocidade: os equipamentos também flagrarão veículos que trafegam irregularmente pelo acostamento. A ação, no entanto, não se limita a São Paulo. Ela reflete um movimento nacional de modernização da fiscalização viária e busca por maior segurança nas estradas brasileiras.
O cenário nacional da segurança viária
O Brasil é um dos países com mais acidentes de trânsito no mundo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 30 mil pessoas morrem anualmente nas estradas e ruas brasileiras. Grande parte desses acidentes está relacionada ao excesso de velocidade, à imprudência e ao desrespeito às leis de trânsito. Nesse contexto, a instalação de radares fixos e inteligentes, como os que serão implementados em São Paulo, surge como uma ferramenta essencial para mudar essa realidade.
A medida paulista se alinha a diretrizes nacionais, como a Política Nacional de Segurança Viária (PNSV), que tem como meta reduzir pela metade o número de mortes no trânsito até 2030. Outros estados também têm investido em tecnologia para fiscalização. No Paraná, por exemplo, radares inteligentes já são capazes de identificar o uso de celular ao volante e o não uso do cinto de segurança. Já no Rio de Janeiro, câmeras com reconhecimento facial estão sendo testadas para multar infratores reincidentes.
Tecnologia como aliada da segurança
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Os novos radares paulistas são um exemplo de como a tecnologia pode ser usada para salvar vidas. Além de monitorar a velocidade, esses equipamentos são capazes de identificar infrações como a invasão de acostamentos, prática comum em rodovias congestionadas, mas extremamente perigosa. Segundo especialistas, o uso indevido do acostamento é uma das principais causas de acidentes graves, pois coloca em risco não apenas os infratores, mas também veículos de emergência que dependem dessa via para atendimentos rápidos.
A expectativa é que, com a maior presença de radares, haja uma mudança cultural no comportamento dos motoristas. “A fiscalização eletrônica é uma forma de educar o condutor. Quando ele sabe que está sendo monitorado, tende a respeitar mais as regras”, explica João Almeida, especialista em trânsito e mobilidade urbana.
Impactos além das multas
A instalação de radares tem gerado debates sobre seu caráter punitivo e sua eficácia na prevenção de acidentes. Especialistas apontam que o objetivo principal da medida é aumentar a segurança viária. “Multas são um meio, não um fim. O que buscamos é reduzir acidentes e salvar vidas”, afirma Maria Fernanda Souza, diretora do DER. Parte dos recursos arrecadados com as multas é reinvestida em melhorias na infraestrutura viária, como sinalização, pavimentação e manutenção das estradas.
No cenário nacional, a iniciativa de São Paulo pode influenciar outros estados a adotarem medidas semelhantes. A modernização da fiscalização viária é vista como um passo relevante para o cumprimento de metas internacionais de redução de acidentes. No entanto, especialistas destacam que a tecnologia deve ser acompanhada de campanhas educativas e investimentos em infraestrutura. “Radares sozinhos não resolvem o problema. É preciso também melhorar a qualidade das estradas e conscientizar os motoristas”, ressalta Almeida.